Mulheres e Movimentos 
 
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Mídia


Correio Braziliense - 10/05/2005

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    Marcas de batom
    Livro radiografa o protesto feminino por capitais do Brasil e cidades estrangeiras. A obra será lançada hoje, mais um dia de manifesto de mulheres de militares na Esplanada

    Da Redação
    Enquanto Brasília serve de palco à Cúpula América do Sul ­ Países Árabes, as mulheres ocupam as ruas. No Rio de Janeiro, em pleno Dia das Mães, ativistas do Movimento de Solidariedade às Mulheres dos Países Árabes estenderam faixas e distribuíram panfletos pedindo que a situação das mulheres islâmicas entre em pauta no evento. Na capital federal, há duas semanas, cerca de 250 mulheres de militares das Forças Armadas acamparam em frente ao Ministério da Defesa exigindo o pagamento do reajuste de 23% do salário de seus maridos (impedidos constitucionalmente de fazerem protestos). É nessa atmosfera de reivindicações feministas, que a carioca Claudia Ferreira desembarca em Brasília para lançar o livro Mulheres e movimentos, hoje à noite, no bar e livraria Rayuela (412 Sul).

    Os últimos 15 anos da vida dessa repórter fotográfica se confundem com a história recente do movimento feminista, iniciado, segundo registros históricos, em Nova York, em 1857, quando 129 operárias morreram carbonizadas em uma fábrica de tecidos depois de se rebelarem em busca de melhores condições de trabalho. Daí em diante, reprimidas, perseguidas, vítimas das mais desumanas formas de violência, elas não pararam mais. Os acontecimentos marcantes desse movimento, captados pelas lentes de Claudia, estão registrados no livro que sai pela editora Aeroplano (de Heloisa Buarque de Hollanda), com o apoio da Fundação Ford, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres e da ONG Caces (Centro de Atividades Culturais, Econômicas e Sociais).

    Textos ilustrativos
    Ao longo de 208 páginas, desfilam 260 fotografias em preto-e-branco, linguagem preferida da fotógrafa. Os textos assinados pela socióloga Claudia Bonan ­ parceira da fotógrafa na Caces, ONG voltada para a defesa das questões de gênero e ética racial – contextualizam as imagens, sem as comprometer. “É um livro de fotografias ilustrado por textos”, resume a autora. Situado nos anos 90, a obra é dividida em quatro blocos: os grandes temas do feminismo, como os direitos sexuais, o combate à violência e à discriminação; encontros feministas nacionais e latino-americanos; encontros realizados pela ONU (Organização das Nações Unidas) e ONGs mundiais; e as perspectivas para o terceiro milênio, incluindo o Fórum Social Mundial e a Conferência Nacional de Mulheres Brasileira. As fotos não seguem uma ordem cronológica e as legendas ficaram à parte, no final do livro, justamente para afastar palavras de imagens.

    O arrebatamento inicial de Cláudia Ferreira com o ativismo feminista veio com a cobertura do 8º Encontro Nacional Feminista, em Bertioga (SP), em 1989. “Vi que não existia um estereótipo para feministas, eu as fotografei concentradas, dispersas, debatendo, dançando e caminhando nuas para o mar. São todas diferentes, mas desejando, igualmente, um mundo melhor e mais justo.”

    Não se trata de apenas de livro de fotografias, tampouco de obra de arte. Para Claudia, é a memória fotográfica de luta secular, o registro do engajamento feminino no embate histórico por igualdade e justiça. “Desde o início, minha intenção era um projeto para perpetuar o passado da militância feminista, nossa cultura é pobre em memória, precisamos valorizar e aprender com o passado”.

    Na abertura do livro, há os registros de duas mulheres símbolos de resistência: Gioconda Rizzo (1897-2004), primeira fotógrafa profissional paulistana, e Hermínia Mello Nogueira (1894-1989), fotógrafa carioca pioneira na primeira metade do século 20. “Eu me vejo como elas, não com 104 anos, mas cheia de vida na velhice, amparada pelas reminiscências do passado”.

    MULHERES E MOVIMENTOS
    Lançamento do livro da fotojornalista Claudia Ferreira. Hoje, às 19h, no Rayuela (412 Sul), com projeção das fotos em telão. R$ 85


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