Mulheres e Movimentos 
 
início  |  links  |  english version  
 

O PROJETO|IMAGENS|O LIVRO|COMO ADQUIRIR IMAGENS|DIREITOS DE USO|CONTATO
 
o livro » mídia
Mídia


Jornal do Commercio RJ - 06/03/2005

[ volta ]
    Fotógrafa mapeia caminhos do feminismo

    FABIANA BARBOSA

    Com lançamento na segunda-feira, na Livraria da Travessa, em Ipanema, o livro "Mulheres e Movimentos" (Editora Aeroplano), de Claudia Ferreira e Claudia Bonan, é um registro de importantes movimentos sociais no Brasil e no mundo, unificados pela presença feminina. A fotógrafa Claudia Ferreira flagrou importantes eventos, como os 30 anos do Ano Internacional da Mulher e os 20 anos do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, e defende por meio das 260 imagens que o feminismo atual é formado por uma etnia diversa - branca, negra, indígena, trabalhadora rural, dona de casa, migrantes, prostitutas e lésbicas. O resultado da pesquisa de 12 anos é o retrato de uma rica divergência política e ideológica, desatrelando de vez a teoria feminista do pensamento de classe média ocidental.

    Com a realização do livro, Claudia Ferreira ressalta qu e a maior descoberta foi a mudança do seu olhar sobre o tema. Para ela, grande parte das feministas era da cor branca, de classe média, e queimava sutiã na rua.

    - No andamento do projeto, pude descobrir esta impressão equivocada que criamos. Quis mostrar qual a participação efetiva delas mulheres em muitas mudanças e conquistas, nas quais a sociedade nem imagina. Para as mulheres no movimento, trata-se de reinventar a democracia - afirma a fotógrafa. "Os direitos conquistados pelas mulheres são resultado de uma batalha de muitos anos. Ao mesmo tempo que o movimento é capilar, não aparece muito, é cotidiano. A Constituição de 1988 teve grande participação de feministas", diz Claudia Ferreira.

    Acompanhando as 260 fotos, em preto-e-branco, estão textos da médica e socióloga Claudia Bonan. De acordo com Claudia Ferreira, as fotos são complementadas historicamente pela pesquisa da socióloga.

    - Desde que nos encontramos, nos anos 90, eu fotografava e lá esta va Claudia também realizando sua pesquisa, com seu gravador.! A escri ta dela fortalece meu trabalho e vice-versa. É um olhar fotográfico amparado pelo cunho histórico dos textos - afirma a fotógrafa. "Optamos em não utilizar a narrativa cronológica. A divisão do livro foi elaborada a partir dos grande temas, como saúde, violência e direitos humanos", completa ela.

    - A luta não é mais sobre a igualdade do homem e da mulher. É uma movimento heterogêneo que também questiona a democracia e a relação do Estado com a sociedade. Não é mais um movimento puramente reivindicatório, já conquistamos o nosso espaço. Agora é efetivar o processo de contribuição de espaços públicos e de uma sociedade civil em âmbito mundial - diz Claudia Bonan.

    A socióloga destaca o 1º Encontro da Rede Feminista Latino-americana e do Caribe contra a Violência Doméstica e Sexual, em 1992, pois a partir dos anos 90, a história do movimento feminista viveu um momento novo e ambíguo.

    - Foi um momento marcante. No decorrer dos anos 80, os valores e os conceit os foram se transformando. A partir dos anos 90, recompõem-se o Estado de Direito e as liberdades democráticas, a sociedade civil está fortalecida e organizada e as novas diretrizes constitucionais trazem a promessa de uma ampliação histórica da cidadania. Por sua vez, o ajuste estrutural, as reformas neoliberais e os governos sustentados por bases conservadoras emperram a efetivação dos direitos e o aprofundamento da democracia - afirma ela. "Chega-se ao Século 21, um feminismo florescido como experiência e força oriunda da cultura, sociabilidade e da energia política. É um movimento que fala para e com todo o mundo, dando a sua contribuição a um projeto de civilização realmente democrática", completa.

    A fotógrafa conta que um momento marcante foi a Conferência das Mulheres em Beijing, na China, em 1995. Para Claudia, além de ter sido a primeira vez no País, ela reuniu mais de 30 mil mulheres.

    - É a única parte do livro na qual achei importante mostrar a conferência unida com a atmosfera fora dela, porque ambas se completaram. Era incrível perceber os interesses antagônicos das participantes e a pluralidade de nações unidas ali. Havia muçulmanas, por exemplo, que condenavam o aborto e o homosexualismo, e, em contrapartida, lá estavam as mais liberais em prol desses temas - afirma Claudia.

    Fotógrafa desde 1977, Claudia já trabalhou para o Jornal do Brasil e a sucursal da Folha de São Paulo. Foi com a câmera fotográfica Nikon FM 2 e Canon EOS que ela clicou um acervo de mais de 4 mil fotos sobre o feminismo. Claudia Ferreira tem como inspiração o fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson e os brasileiros Evandro Teixeira, Walter Firmo e Sebastião Salgado. "A minha linguagem fotográfica é em preto-e-branco. Lembro-me do que o fotógrafo Zé Medeiros, de "O Cruzeiro", dizia que tínhamos que ver a luz com simplicidade, a mais natural possível e minimalista. É assim que a vejo", diz ela.

    Serviço
    "Mulheres e Movimentos", fotos de Claudia Ferreira e textos de Claudia Bonan. Editora Aeroplano, 208 páginas, R$ 85.


[ volta ao topo ]