Mulheres e Movimentos 
 
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Mídia


Jornal O Globo - 27/02/2005

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    Livro conta a história do movimento de mulheres no Brasil dos anos 90

    Leticia Helena

    Elas ainda queimam sutiãs — mas, agora, por outra causa: o gesto que marcou os protestos pela liberdade feminina, nos anos 50/60, serve agora para manifestar desagrado com a revista íntima numa fábrica de lingerie. Prova de que, para elas, os tempos mudaram, como bem mostra o livro “Mulheres e movimentos”, da Editora Aeroplano, que será lançado no Rio no dia 7. O trabalho, de 208 páginas e 260 imagens, assinado pela fotógrafa Cláudia Ferreira e pela socióloga Cláudia Bonan, marca também algumas datas importantes para o movimento feminista. Em 2005, comemora-se três décadas do Ano Internacional da Mulher, 20 anos da criação do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e dez anos da Conferência de Pequim.

    — Neste período, duas coisas são importantíssimas na luta das mulheres — diz Cláudia Bonan. — Primeiro, o movimento se entranhou por todas as esferas da sociedade. Além disso, as mulheres estão na vanguarda do desafio democrático, pondo em discussão não apenas as diferenças de gênero, mas de raça, escolaridade e opção sexual.

    O livro abrange o período de 1989 a 2002. Cláudia Ferreira escolheu as 260 fotos entre mais de quatro mil imagens de seu acervo. São cenas como a da ativista homossexual carregando um cartaz com a frase “Minha mãe é heterossexual e eu a aceito”. Ou a que mostra a mulher amamentando com um adesivo na lapela defendendo o aborto.

    — Quando escolhi a foto das mulheres queimando sutiã, sabia que ia parecer provocação. Mas, ali, elas estavam protestando contra a humilhação da revista íntima. E tanto fizeram que a empresa foi obrigada a acabar com essa prática — conta ela.

    Banho de mar sem roupa após encontro de mulheres

    As autoras se conheceram no Centro de Atividades Culturais, Econômicas e Sociais (Caces), uma ONG que trata de interesses de mulheres e negros. De lá para cá, seguiram as marchas de 8 de março pelo país, as conferências nacionais e internacionais dos direitos da mulher, as reuniões da ONU e até o Fórum Social Mundial. Nesta jornada, flagraram momentos curiosos, como aquele em que ativistas tomam banho de mar nuas em Bertioga, no litoral de São Paulo.

    — Após a reunião oficial, houve uma festa, que durou até o sol raiar. As mulheres resolveram, então, tomar um banho de mar. Tiraram a roupa e se jogaram na água. Foi incrível — lembra a fotógrafa.

    O livro tem apresentação da secretária especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéia Freire. Para Cláudia Bonan, o mais importante é mostrar que as mulheres estão empenhadas numa cruzada pela democracia, no sentido mais amplo da palavra.

    — O movimento de mulheres está mudando a agenda política do mundo — diz ela.


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